
Sempre existiu uma incomoda vontade de mudar as coisas, mas essa era sempre efêmera, bastava ele trocar a roupa da cama que a vontade era colocada na máquina de lavar junto com o lençol sujo.
Se procurar nos outros era o seu maior problema, não deveria agir assim pois estar sozinho era uma condição, não era causa de escolhas ou de precipitações, seu legado deveria ser transmitido pela dor de estar, de ser.
Sexualmente se deixava levar por belos pares de seios, queimava sua gasolina evaporando as roupas das meninas que encontrava pela noite, tudo isso transportado de um pedaço de pano esticado em traves de madeira.
Grande bobagem, grande bobagem era deixar que a porra secasse na roupa de cama e achar que isso fosse lhe trazer algo eterno, um ideal romântico acoplado a cabeça de baixo, que esporrava no coração
um bombardeio de idéias falsas sobre algo chamado de “amor”.
Eu poderia dizer que essa é mais uma canção de revolta, sobre um jovem que se matou, mesmo depois de já estar morto. Quantas vezes repetiu o ato de enfiar o peito na frente do mundo como se fosse um alvo fácil de ser abatido.
Tudo isso eram impressões provocadas pelo medo de não ter pra quem mostrar os demônios do seu armário, os mesmos que provocavam nele o ato de se masturbar diante de uma tela em branco.
Seu carma era o contraponto dos pontos costurados em sua boca, visões e aparições de santos sacrificados, disfarçados de assombrações.
Não poderia fazer nada pra se libertar, a não ser que deixasse de levar aos outros suas impulsividades sexuais, que se resultavam das suas abstrações eróticas, tão passageiras quanto suas próprias ereções.
Ele agora estava com os punhos cerrados e o sorriso mastigado pela sensação mórbida de liberdade, algo que lhe trazia perturbação criativa e uma agressividade que se manifestava através de pequenos calafrios na espinha.
Mesmo estando assim, ele poderia muito bem olhar para uma garota e reconhecer nela a possibilidade de se comprometer com algo bem maior do que aquela baboseira dogmática da qual estava sendo libertado.
Era como deixar de gozar no espelho e passar a gozar em uma janela aberta.
Não pretendia se reconhecer em ninguém, apenas se estranhar.
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